Entrevista Semiestruturada: Uma Conversa Informal Que Pode Otimizar A Gestão

Tempo de leitura: 16 minutos

A entrevista semiestruturada, por ser menor formal, permite um melhor conhecimento dos candidatos, pois permite ser conduzida de acordo com as respostas e o perfil pessoal de cada candidato.

Neste caso, o entrevistador consegue uma diferenciação mais eficiente e obtém uma boa amostra da população de candidatos.

Por outro lado, este tipo de entrevista é mais exigente, porque requer uma grande destreza por parte do entrevistador, que deverá ter talento e experiência.

Continue lendo e saiba, em detalhes, no que se constitui uma entrevista semiestruturada.

entrevista semiestruturada

O que é entrevista semiestruturada?

A entrevista semiestruturada aproxima-se mais de uma conversação (diálogo), focada em determinados assuntos, do que de uma entrevista formal.

Baseia-se num guião de entrevista adaptável e não rígido ou pré-determinado.

A vantagem desta técnica é a sua flexibilidade e a possibilidade de rápida adaptação.

A entrevista semiestruturada pode ser ajustada quer ao indivíduo, quer às circunstâncias.

Ao mesmo tempo, a utilização de um plano ou guião contribui para a reunião sistemática dos dados recolhidos.

Normalmente, a entrevista semiestruturada inicia-se com tópicos gerais, a que se seguem perguntas utilizando “O quê?”, “Porquê?”, “Quando?”, “Como?” e “Quem?”, devendo deixar-se que a conversação transcorra de forma mais natural.

Apesar de o entrevistador poder ter as perguntas previamente preparadas, a maioria das perguntas geram-se à medida que a entrevista vai decorrendo, permitindo quer ao entrevistador, quer à pessoa entrevistada a flexibilidade para aprofundar ou confirmar, se necessário.

A entrevista semiestruturada pode ser planejada ou acontecer espontaneamente.

Pode permitir a coleta de muitos e importantes dados e também gerar informação quantitativa e qualitativa.

Entrevista semiestruturada: metodologia

Segundo Bogdan & Biklen (2010), “uma entrevista semiestruturada é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos do mundo.”

Anderson & Kanuka (2003) consideram a entrevista como um método único no recolhimento de dados, por meio do qual o investigador realiza esta coleta, através da comunicação entre indivíduos.

Guião da Entrevista

O guião da entrevista semiestruturada está orientado para três objetivos.

Por sua vez, para cada objetivo o entrevistador delineia três ou mais questões encadeadas sequencialmente.

É mencionado o tipo de entrevista a utilizar, semiestruturada, sendo justificados os motivos desta opção (acesso a grande quantidade de informação e esclarecimento dessa informação).

A entrevistadora não descura os problemas levantados pelo meio a utilizar, já que a entrevista decorre em ambiente online.

Do guião consta o planeamento de pormenores relativos aos entrevistados, ao local da entrevista semiestruturada e à duração.

Na fase do planeamento da entrevista, além de serem indicados os destinatários do estudo bem como os respetivos objetivos, é ainda referido o tempo previsível de duração desta (previsão de uma hora e trinta minutos no máximo), a data, hora, o local (Messenger ou Gtalk).

É possível inclusive, que a entrevista seja interrompida e posteriormente retomada em caso de necessidade do entrevistado.

Nesta fase é ainda relevante saber que se pretende informar os possíveis interessados acerca dos objetivos do estudo e da sua razão, assegurando que, por questões éticas, o anonimato será salvaguardado.

Considera-se relevante ser indicado, na fase planeamento, o formato digital destinado a guardar a entrevista, na medida em que, se for utilizado software de análise de conteúdo, os ficheiros das entrevistas terão de ser compatíveis com os requisitos desse software.

Entrevistador

A entrevistadora, Filomena Marques, conduziu a entrevista de forma informal, num tom familiar, mas não deixou de colocar todas as perguntas necessárias sobre os pontos a questionar.

A entrevistadora reformulou as questões que tinham sido enunciadas em “Perguntas Tipo” no Guião para a Entrevista, assim como alterou a ordem dessas mesmas Perguntas Tipo.

Entrevistado

A entrevista é dirigida a amigos do entrevistador que nunca tiveram experiência de ensino a distância.

É bem explícito, no Guião para Entrevista, que o potencial entrevistado é contactado previamente para que tome consciência dos objetivos do estudo e da importância da respetiva participação, entre outros elementos.

Este contato é de grande utilidade, pois pode contribuir para uma maior motivação e adesão do entrevistado e, por conseguinte, para o sucesso da entrevista.

Perguntas-tipo estas perguntas corresponderam às perguntas discutidas e definidas em trabalho anterior.

No enquadramento de uma entrevista semiestruturada, são entendidas como orientadoras do processo, por isso, é referida a flexibilidade para “reformular e alterar a ordem no decorrer da entrevista”.

Isso permite abertura ao discurso do entrevistado, mas prevendo simultaneamente algum controle, caso este se desvie do assunto em estudo.

Benefícios da entrevista semiestruturada

Não é expressivo o número de empresas que adota a prática da entrevista de desligamento, como sendo uma ferramenta valiosa para a Gestão de Pessoas.

Alguns defendem que como aquele profissional não fará mais parte do quadro de funcionários, não tem algo de valor a agregar.

Contudo, a realidade mostra o contrário.

Quem vai, leva informações relevantes sobre a empresa, pois vivenciou os processos, o clima e é capaz de revelar situações que podem passar despercebidas para quem nunca teve a oportunidade de vivenciar a realidade do setor em que atuou.

Confira abaixo alguns benefícios que a entrevista de desligamento oferece à empresa que a inclui entre suas ferramentas de Gestão de Pessoas.

A gestão

Identificação de pontos fortes e fracos da gestão da empresa que precisam ser trabalhados, na perspectiva do funcionário.

Muitos programas, por exemplo, são implantados e têm seus resultados mensurados através de ferramentas que apontam que esses são eficazes.

Mas, conhecer a visão dos profissionais sobre o que a organização adota é, sem dúvida alguma, um diferencial significativo.

Lucratividade

Vale registrar que quando se identifica os pontos fortes e os que precisam se melhorados em uma gestão vários benefícios surgem como, por exemplo:

  • Melhoria na qualidade dos produtos
  • Excelência no atendimento ao cliente externo
  • Aumento da produtividade
  • Redução do retrabalho

Todos esses fatores se traduzem em redução de custos e aumento da rentabilidade.

Mais um bom motivo para se aplicar a entrevista de desligamento: possibilidade de aumentar os lucros para a organização.

Mudanças

Hoje as palavras mudança e inovação ocupam “espaço nobre” no dicionário organizacional.

Afinal ninguém mais pode ficar estático se deseja permanecer competitivo.

Na entrevista de desligamento, existe espaço para perguntar àquele que deixa de integrar a equipe: “Qual seria a mudança que você faria na organização e qual a razão?”.

Como ele já não possui mais vínculos, é provável que expresse algo que sempre quis dizer, mas, por um motivo ou por outro, preferiu ficar calado com receio de receber algum tipo de retaliação.

Aproveite a oportunidade e deixe que ele se expresse.

Líderes

Visão da gestão que as lideranças aplicam junto aos seus liderados.

Através da entrevista de desligamento, consegue-se “captar” a essência da relação que o profissional que deixa a empresa mantinha com o gestor, bem como a visão que ele formou da sua liderança.

Clima

O clima interno é outro fator que pode ser avaliado durante a realização da entrevista de desligamento.

Através da conversa com o ex-funcionário, podem-se pontuar fatores positivos e/ou negativos que envolvem o clima organizacional.

Vale lembrar que entrevistador deve ficar atento, pois o talento desligado, talvez expresse sentimentos negativos devido à demissão e isso poderá prejudicar aqueles que ficaram na empresa.

Nesse momento, não custa usar o feeling.

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Feelling

Quando o entrevistador usa o feeling, ele perceberá se o ex-funcionário deixa a empresa com características de quem sentirá saudades, mesmo que ele esteja indo para um novo desafio de carreira.

Caso ele demonstre esse sentimento, é sinal de que criou laços, comprometimento com a organização, com os colegas de trabalho. Essa percepção é extremamente relevante para avaliar a Gestão de Pessoas da sua organização.

Expectativas

Muitas organizações gastam cifras significativas em programas que objetivam reter seus talentos.

Contudo, essas ações parecem que não atingem seu foco e o índice de turnover permanece preocupante, principalmente quando os profissionais em questão assumem cargos estratégicos.

Por que isso ocorre? Porque nem sempre a empresa tem o cuidado de saber as reais necessidades dos seus colaboradores.

Se antes de implantar um programa de benefícios, por exemplo, a organização tem a preocupação de pesquisar, conversar com os funcionários para saber quais itens que realmente farão o diferencial e trarão melhorias para suas vidas, o investimento terá sido muito bem aplicado.

Caso contrário, corre-se o risco de oferecer “produtos” considerados irrelevantes para determinado público.

Na entrevista de desligamento, é perfeitamente possível ficar frente a frente do ex-funcionário e questionar se um dos motivos da sua saída, caso a iniciativa parta dele, esteja relacionada a alguma expectativa frustrada.

Ele ficaria?

Algum fator faria esse profissional permanecer na empresa? O que seria, então?

Se quem conduz a entrevista de desligamento conseguir essa resposta, talvez possa identificar um fator que contribui para a rotatividade da empresa, mas que está passando despercebido pelos dirigentes.

Imagem

Deve-se ter uma constante preocupação com a imagem da organização forma junto ao público interno ao externo.

Por isso, quando um funcionário é desligado da empresa é importante saber que imagem ele formou e que levará do tempo que atuou na companhia.

Lá “fora” o ex-funcionário será um formador de opinião e certamente repassará aos familiares, aos amigos e aos profissionais da área a opinião do seu último emprego.

E o RH?

Talvez muitos profissionais de Recursos Humanos não queiram pontuar essa questão na entrevista de desligamento, mas qual a opinião que o ex-colaborador possui da área?

Será que sua atuação é apenas burocrática ou já existe uma atuação de parceria estratégica do negócio?

Avaliar todos os demais setores da empresa, as lideranças e perder a oportunidade de ter um feedback sobre o trabalho que desenvolve é demonstrar sinal de maturidade profissional e, acima de tudo, de coragem e de dignidade.

Como fazer uma entrevista semiestruturada

A entrevista semiestruturada caracteriza-se por um compromisso entre o guião de questões previamente estabelecido e alguma espontaneidade e improvisação.

O entrevistador, tendo como ponto de partida a diretriz estabelecida previamente, pode conduzir a entrevista não respeitando totalmente as questões que tinham sido preparadas, podendo mesmo alterar a sua ordem ou modificar a forma como estão construídas.

Principais características da entrevista semiestruturada

  • Combina perguntas abertas e fechadas
  • O entrevistador tem a possibilidade de improvisar e reconduzir a entrevista aos pontos de interesse
  • As questões base pré-definidas são seguidas, mas sob a forma de uma conversa informal
  • Há a possibilidade de utilizar recursos visuais, como cartões ou fotografias, o que pode deixar o entrevistado mais confortável

Quais as vantagens da entrevista semiestruturada?

Flexibilidade

O entrevistador tem a possibilidade de dar um toque de espontaneidade a uma entrevista já preparada previamente, ao modificar ou adicionar perguntas, podendo também prolongar a sua duração conforme conveniente.

Maior direcionamento para o tema-chave da entrevista.

Possibilidade de testar a capacidade de o entrevistado se adaptar a novas situações, ao introduzir perguntas inesperadas.

Melhor conhecimento dos candidatos

Numa entrevista com exatamente as mesmas questões se torna mais difícil obter respostas muito díspares por parte de candidatos diferentes.

Ao poder conduzir a entrevista e fazer depender o seu rumo conforme as respostas e o perfil pessoal do candidato, o entrevistador consegue diferenciar melhor e obter uma boa amostra da população de candidatos.

Favorecimento de respostas espontâneas

Quais as desvantagens?

Este é o tipo de entrevista mais exigente: para ser bem-sucedida, terá que haver uma grande destreza por parte do entrevistador, que deverá ter talento e experiência.

Sugestões para uma boa entrevista semiestruturada

É importante que o entrevistador transmita confiança ao entrevistado.

Uma entrevista semiestruturada é considerada bem sucedida quando as respostas obtidas são fidedignas e válidas e o resultado do total de entrevistas representam uma amostra da população de candidatos que permita uma avaliação diferenciada de cada um.

Em suma, realizar uma entrevista semiestruturada é mais interessante do que realizar uma entrevista a partir de um guião, e tem várias vantagens, porém, fazê-lo não é tarefa fácil!

Tomar como ponto de partida um guião e transformar esse conjunto de perguntas numa conversa informal, propiciando um discurso livre por parte do entrevistado, sem que este deixe de focar nos objetivos e no tema propostos: eis o grande desafio!

Roteiro de entrevista semiestruturada

Elaboração

A primeira versão do roteiro para a entrevista foi estruturada pela primeira autora, tendo como base buscar as informações que respondessem aos objetivos da pesquisa.

Esse roteiro, após a elaboração, foi discutido junto a todos os alunos matriculados na disciplina Coleta de dados por meio da entrevista e diálogos, oferecida pelo curso de Pós-Graduação/UNESP – Marília.

A partir das discussões e análises foram sugeridas a reformulação de várias questões, e, finamente, junto à concordância dos alunos da sala, sob todos os pontos do roteiro, se estruturou a segunda versão do roteiro.

Esta segunda versão passou por uma reavaliação minuciosa do segundo autor, corrigindo-se pontos importantes junto à estruturação das perguntas, jargões, sequência das perguntas, entre outros detalhes primordiais para clareza das questões do roteiro.

Em função dessas alterações, surgiu a necessidade de elaborar a terceira e última versão do roteiro de entrevista.

Características do participante

A participante foi uma professora de Educação Física do município de Bauru, efetiva junto à prefeitura há dois anos, que trabalhava com alunos deficientes em uma escola inclusiva.

A professora durante o primeiro semestre de 2012 esteve de licença-maternidade, esta licença permaneceu até o mês de agosto.

As informações referentes a esta professora foram fornecidas pela Secretaria da Educação do município de Bauru.

Portanto, com o apoio e a permissão da secretaria de educação de Bauru, a primeira autora entrou em contato com a entrevistada, primeiramente, via e-mail e depois por telefone, convidando-a para participar da pesquisa.

A professora se mostrou muito interessada e concordou com a participação na pesquisa.

Local e duração da entrevista

A entrevistada sugeriu que a entrevista transcorresse na sua própria residência, no período da manhã. A duração da entrevista foi de 00h25min50seg (25 minutos e 50 segundos).

Antes propriamente do início da entrevista, a primeira autora e a entrevistada conversaram sobre diversos assuntos, não relacionados ao tema da pesquisa, como forma de acolhimento e diante de uma situação desconhecida.

Salienta-se, que a entrevista foi realizada em uma mesa retangular, onde pesquisadora e entrevistada ficaram frente a frente. Portanto, a entrevista transcorreu em um ambiente agradável e sem barulho.

Análise dos dados

Para análise dos dados, as três versões do roteiro foram relatadas e alguns trechos da transcrição serão apresentados e discutidos com o intuito de descrever alguns episódios que ocorreram durante a entrevista.

As falas da entrevistada foram identificadas com letra “E” e as da entrevistadora pela letra “P”.

Primeira versão

Roteiro Objetivo da entrevista será verificar a utilização com o conhecimento de tecnologia assistiva durante as aulas de educação física, possibilitando identificar as dificuldades encontradas no processo de inclusão educacional.

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Tipos de entrevista semiestruturada

A entrevista semiestruturada é uma das modalidades utilizadas para a realização de uma pesquisa ação.

Para sua elaboração, devem ser observados os seguintes pré-requisitos:

  • Busca de dados no ambiente natural (onde de fato acontecem)
  • Que o pesquisador (aluno) constitui-se no instrumento principal para a realização da pesquisa, tanto quanto a identificação de colaboradores para participarem da coleta de dados
  • O processo é tão mais importante do que somente os resultados obtidos ao final

Demo (1995) define a entrevista semiestruturada como a atividade científica que permite ao pesquisador descobrir a realidade.

Por sua vez, Minayo (1996) defende ser o fenômeno que permite aproximarmos os fatos ocorridos na realidade da teoria existente sobre o assunto analisado, a partir da combinação entre ambos.

Já Trivinos (1987, p.146) esclarece que entre as principais características de uma entrevista semiestruturada, estão:

  • Apoiar-se em teorias e hipóteses que se relacionam o tema da pesquisa
  • Descrever e explicar os fenômenos analisados para sua melhor compreensão
  • Que o aluno/pesquisador seja atuante no processo de coleta de informações

É importante ainda destacar o roteiro de entrevista, que deve ser enxuto: contar com 5 perguntas e que sejam aplicadas, no máximo, a 8 participantes.

Manzini (1990/1991, p. 154) destaca ser importante que o roteiro de entrevista seja organizado com perguntas básicas (principais), de modo a permitir que sejam “complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista”.

Para o autor, esse tipo de entrevista pode fazer emergir informações de forma mais livre, desvinculadas de alternativas que possam ser sugeridas pelo roteiro utilizado, permitindo que os entrevistados sejam mais espontâneos.

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